As oportunidades de uma nova era na educação corporativa digital

Por Marisa Nannini

Como se apropriar do digital na sua empresa

Mesmo com a crescente mobilidade e as inovações tecnológicas de hoje atingindo em cheio nossas vidas, a Educação Corporativa continua modelada de um jeito que não traduz a fluidez da linguagem digital já presente em nosso dia a dia. Ou, como diz o cientista Jared Diamond, “grande parte do ‘ontem’ ainda está conosco”.

De fato, a tecnologia parece avançar mais rápido do que nossa capacidade de assimilar suas mudanças.

Por um lado, as formas tradicionais de treinamento perderam aderência em um ritmo acelerado, levando colaboradores a considerar a experiência de aprender “desinteressante” e “chata” — especialmente quando as novas tecnologias servem apenas para embalar velhas metodologias. Por outro, nunca a necessidade de acessar conteúdos de forma fluente e imediata foi tão intensa como hoje.

Ainda assim, na Educação Corporativa, a adaptação a essa rápida evolução tecnológica tem provocado um gap entre o que se oferece nas organizações e o que os profissionais precisam. Ou seja, ainda não conseguimos aproveitar todas as oportunidades que o mundo digital pode proporcionar em termos de capacitação (ver Gráfico 1).

 

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Elemento natural

Na vida, já vemos o digital como um elemento natural, óbvio. Nossos objetos estão cada vez mais impregnados de métodos e técnicas da automação digital, de tal forma que seus mecanismos já se tornaram intuitivos, quase imperceptíveis. Nem racionalizamos mais sobre isso. Então, por que na Educação Corporativa continuamos a segmentar, dividir, compartimentar as questões da esfera digital?

Na maior parte das empresas ainda se espera que o colaborador racionalize “agora vou fazer treinamento digital” ou “agora vou participar do presencial”. E quando se desenha uma arquitetura de aprendizagem online, parece que todas as questões se limitam a adotar o mobile. Na verdade, incorporar o mobile é ponto pacífico. Não cabe mais a discussão se é necessário — já é imprescindível. Como não adotar? Não podemos mais abrir mão do uso de tecnologia.

Mas a estratégia de Educação Corporativa Online não se restringe ao “uso pelo uso” da tecnologia. Mesmo porque cada vez mais as novidades ficam obsoletas na velocidade da luz. Então, em vez de reduzir tudo ao mobile é necessário uma reflexão maior, que amplie a forma de pensar o uso da tecnologia, colocando-a a serviço da Educação Corporativa.

Vale começar se questionando, por exemplo: De que forma a tecnologia pode afetar o processo geral de aprendizagem na minha organização? Até que ponto as soluções digitais são oportunas ao meu objetivo estratégico, meu público, meu contexto? Como promover uma integração adequada dos novos recursos online às necessidades profissionais dos indivíduos?

Personalização

Um ponto indispensável para reinventar a abordagem online é colocar o usuário da tecnologia, o profissional-aprendiz, no centro de tudo. A formação de qualidade agora requer personalização. O papel de T&D deve ser o de facilitador, envolvendo os usuários a partir de seus interesses, agrupando informações relevantes para suas carreiras, de acordo com estilos, preferências, necessidades, comportamentos e motivações de cada grupo de colaboradores.

Aliás, focar nas necessidades de carreira dos indivíduos é condição sine qua non. Você pode arquitetar a solução de Edtech que quiser, se ela não responder ao que as pessoas buscam, não vai adiantar nada. Afinal, quem busca o acesso é o indivíduo, então ele é peça fundamental para a construção de arquiteturas de aprendizagem aderentes.

Devemos aproveitar a esfera digital para criar nos colaboradores uma disposição mais espontânea, automática, intuitiva para aprender, estimulando a atuarem como protagonistas, como profissionais engajados, obtendo todos os benefícios possíveis, não só para o negócio, mas para eles também.

Os ambientes de aprendizagem hoje ainda não propiciam essa disposição — não surpreende que a satisfação com o nível de engajamento das pessoas com o treinamento permaneça tão baixa (ver Gráfico 2). No momento em que conseguirmos olhar para a estratégia de Educação Corporativa pensando no uso de tecnologia da mesma forma como assimilamos isso na vida, talvez a questão da motivação para aprender deixe de ser tão debatida.

 

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Nova era

O fato é que a Educação será cada vez mais influenciada pela tecnologia digital. Novas ferramentas mais sofisticadas (e acessíveis!) de Edtech vão continuar sendo criadas. A tendência é que se tornem cada vez mais integradas, como uma parte invisível e onipresente de um sistema global, ajudando as organizações a aperfeiçoar a experiência de aprendizagem de suas equipes mais rápido e com melhor custo—benefício.

Portanto, é hora de mudar a forma como se considera o digital no âmbito da capacitação. Mais do que nunca, cabe aos profissionais de T&D e DHO alavancar o potencial da expansão digital. Quem não entender isso desde já corre o risco de ficar preso a um modelo ultrapassado, criado para um contexto que não existe mais.

Em 2016, muitas oportunidades para responder a novos desafios e maximizar resultados de desenvolvimento de talentos vão estar vinculadas à esfera digital. Então, aproprie-se dessa ideia de forma abrangente em seus projetos de Edtech. Nossa recomendação é simples: faça de 2016 o princípio de uma nova era na estratégia de Educação Corporativa da sua empresa. Mais moderna, atualizada e eficiente.
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Ação: Repense sua estratégia de Educação Corporativa e redesenhe como será a experiência de aprendizagem na sua organização em 2016. Amplie sua visão do digital para criar um ambiente de fato vivo e dinâmico, que estimule as pessoas a incorporar a capacitação de forma mais natural, menos racionalizada, assim como já fazem com seus dispositivos mobile, redes sociais, etc.

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Reflexão: O que a tecnologia permite ser feito que antes não era possível? Como maximizar os resultados de Educação Corporativa com o uso da tecnologia?

 

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Marisa Nannini, diretora de negócios da Ciatech, vertical para o mercado corporativo do UOL Educação. Possui mais de 25 anos de experiência executiva no desenvolvimento e expansão de unidades de negócio, posicionamento de marca e produtos e do capital humano. Sua atuação em grandes empresas multinacionais, nacionais e consultorias é voltada a planejamento estratégico, tecnologia, sucessão e desenvolvimento organizacional.

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