Cultura Digital: tecnologia ou um novo mindset?

Cultura Digital: tecnologia ou um novo mindset?

Por Marisa Nannini | Diretora Mercado Corporativo

Desde que o ritmo das transformações tecnológicas intensificou a digitalização em todas as esferas, as empresas experimentam mudanças cada vez mais significativas e frequentes em seus modelos de negócios. Competir num mercado em “ruptura digital” tem sido uma questão crucial para o sucesso na execução das estratégias.

Isso tem levado as organizações a repensar seus modelos de desenvolvimento incorporando os elementos determinantes da estrutura organizacional. Na medida em que as decisões de desenvolvimento e gestão de talentos considere esses componentes do contexto certamente ficarão mais propensas a desbloquear seu potencial no mundo digital.

Com base em estudo realizado por pesquisadores da SpencerStuart, devem ser levados em conta os seguintes aspectos para desenho da estratégia digital:

Falta de vocabulário comum

Quando pessoas de diferentes áreas da organização discursam sobre o “digital”, em geral estão se referindo a um conjunto heterogêneo de forças: o crescimento do e-commerce, a influência das mídias sociais, a promessa do Big data, a proliferação de dispositivos móveis, a nova realidade da segurança cibernética, o potencial da nuvem em termos de processamento e armazenamento — cada um dos quais com implicações diferentes para o negócio. A falta de um vocabulário comum entre os principais players em uma organização é muitas vezes um obstáculo para encontrar soluções e definir uma estratégia, prioridades e planos.

Tipo de impacto

Para algumas organizações, o impacto do digital pode ser focado e restrito enquanto para outras, as forças digitais podem representar uma ruptura importante no modelo de negócio. E há ainda aquelas em que o digital pode significar uma enorme oportunidade para ganhar eficiência e economia.

Outros fatores essenciais

Ao implementar planos digitais, as empresas muitas vezes ignoram a importância de uma ampla gama de outras questões que impactam o sucesso de iniciativas digitais, tais como o grau de sofisticação atual da tecnologia dentro da organização, a dinâmica cultural, a velocidade e a transparência do processo de tomada de decisão e a disponibilidade de talento.

Passar para uma arquitetura organizacional digital normalmente não é intuitivo. O fato é que não há mais uma única resposta certa de como se organizar para o digital: a abordagem correta será sempre específica para cada negócio, levando em conta quais plataformas digitais deve priorizar, qual nível de prontidão para a mudança e qual estratégia vai nortear o progresso digital do negócio.

Para orientar a criação de modelos digitais funcionais e alavancar a eficiência operacional recentemente, o World Economic Forum listou um conjunto de capacidades fundamentais:

  1. Perceba e traduza a disrupção: Olhe além do seu próprio mercado / segmento. Esteja preparado para deixar mais indistintas as linhas entre os mundos físico e digital.
  2. Tente desenvolver e lançar ideias mais rapidamente: Pare de pensar só em inovação e procure, em vez disso, resolver os problemas dos clientes/consumidores. Desenvolva plataformas para experimentações rápidas e mais baratas. Descubra ou crie o empreendimento que mais poderia causar ruptura à sua empresa.
  3. Compreenda e potencialize dados: Organize eventos de dados. Encontre novas formas de rentabilizar dados. Crie uma equipe de análise. Pense além do big data para considerar diferentes tipos de informações.
  4. Crie e mantenha uma equipe com alto quociente digital: Seja honesto sobre quão digitalmente “letrados” são os líderes e a força de trabalho da empresa. Crie ambientes digitais de aprendizagem para renovar habilidades dos colaboradores.
  5. Busque parcerias (e invista) para todas as atividades não essenciais: Uma das características de líderes digitais eficazes é sua compreensão intuitiva de que essa jornada não deve ser feita isoladamente.
  6. Organize-se para a velocidade: Garanta o apoio da alta liderança e o comprometimento de toda a empresa para conduzir o crescimento digital, com o respaldo de colaboradores digitalmente capacitados.
  7. Projete uma experiência digital prazerosa: A experiência do usuário impulsiona arquiteturas de TI, e não vice-versa. O sucesso em adotar novas tecnologias e integrá-las nas operações de uma empresa tem o potencial de trazer ganhos em eficiência.

É preciso investir tempo de forma regular e frequente, para definir claramente o que significa o digital para a empresa e evitar uma abordagem simplista para “resolver o digital”, que pode não estar alinhada às verdadeiras ameaças ou oportunidades enfrentadas pelo negócio.

Para lidar com um ritmo de mudanças tão intenso e volátil, talvez seja mais efetivo estabelecer uma cultura constante de experimentação interativa.

Marisa Nannini é diretora da unidade de negócio para o mercado corporativo do UOL Educação/CiaTech. Possui mais de 25 anos de experiência executiva no desenvolvimento e expansão de Unidades de Negócio, posicionamento de marca e produtos e estratégia do capital humano. Sua atuação em grandes empresas multinacionais, nacionais e consultorias é voltada a planejamento estratégico, tecnologia, sucessão e desenvolvimento organizacional. 

Saiba mais acessando: https://boardroomnews.wordpress.com/

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Fonte: https://www.spencerstuart.com/research-and-insight/designing-the-organization-for-digital

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