Nova rede de talentos para criar ruptura e inovação

Por Marisa Nannini | Diretora Mercado Corporativo

Na nova economia, acessar o talento é mais importante do que ter a posse dele.

Isso porque o impulso do universo digital vem alterando rapidamente as relações de trabalho e a arena de negócios. A ampla adoção de tecnologias colaborativas e digitais por colaboradores, clientes e parceiros tem democratizado cada vez mais o acesso à informação, que, por sua vez, flui mais livremente a cada dia dentro e fora das empresas. Isso tem levado profissionais a querer trabalhar em equipes mais dinâmicas.

Hoje o que se vê é a formação de uma nova força de trabalho mais flexível, “sempre ligada”, cada vez mais adepta de modelos em que o trabalho acontece de uma forma mais distribuída, com base em projetos que são concebidos com equipes virtuais — grandes ou pequenas, conforme a empresa precise em cada momento.

Essa configuração tem ganhado espaço não só dentro das organizações, como também entre setores, em especial aqueles que operam em sintonia com o futuro. Isso porque tirar proveito de novas redes e relações que começam a surgir entre empresas e profissionais tem sido uma estratégia importante para estabelecer cultura inovadora, essencial para estimular transformação e criar ruptura.

Na esteira dessa tendência, Amy C. Edmondson e Susan Salter Reynolds, especialistas da Harvard, examinam os benefícios em curso da inovação sistêmica em larga escala, a partir do que chamam de Big teaming, ou seja, redes de equipes em intensa colaboração entre profissões e indústrias com mindsets completamente diferentes. Afinal, nunca foi tão propício aproveitar pessoas de fora da empresa com competências diferenciadas.

Ninguém duvida que garantir segurança e performance nesse tipo de ambiente é desafiador. Por isso mesmo será necessária uma grande dose de coragem da alta liderança, para deixar que a tecnologia aproxime clientes e outros stakeholders das operações da empresa, em um processo que leva as organizações a serem mais planas, menos hierárquicas.

Além disso, é indispensável ter consciência de que o domínio da informação já não está nas mãos de gestores e que é preciso dar autonomia às pessoas, com a confiança de que vão encontrar o que precisam e saber agir a partir daí. Tudo isso demanda novas formas de liderar, com o trabalho remoto sendo orquestrado de tal forma que a coesão das equipes não se perca. Nesse sentido, uma das principais competências de um líder será reunir bons times em torno de objetivos comuns e articular qual a melhor maneira de pessoas diversas trabalharem bem juntas em tempo real.

De acordo com Josh Bersin, outra prioridade nesta nova era é fazer a análise do networking de trabalho entre as pessoas e aplicar uma metodologia capaz de apurar a percepção sobre a dinâmica das equipes, dando sentido a todos os dados disponíveis (People analytics), para entender melhor como esse novo ecossistema de trabalho pode gerar inovação e transformação. Assim, a chave do sucesso para Conselhos e a alta liderança será a capacidade de estrategicamente incorporar e explorar a existência das redes de talentos para estimular processos de inovação, criando ruptura e impactos efetivos no negócio. Como dizem os especialistas, quem quiser assumir a liderança de uma nova ordem terá que ser arrojado ao pensar inovação, integrando as mais recentes tecnologias e formas de colaboração e networking a novos sistemas maiores e mais complexos e às estratégias de desenvolvimento.

 

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