O microlearning veio para ficar, mas deve ser aplicado dentro de uma sólida estratégia educacional

Por Ana Carolina Battisti

O mito do microlearning

As intensas transformações que o mercado e as organizações têm enfrentado demandam que os profissionais estejam, mais do que nunca, em constante aprendizagem e aperfeiçoamento. Mas, ao mesmo tempo em que precisamos aprender mais e mais rápido, estamos cada vez mais distraídos, impacientes e sobrecarregados. Nossa capacidade de focar em um mesmo objeto ou informação por longos períodos de tempo vem caindo consideravelmente. Isso porque nos habituamos a alternar nosso foco de atenção entre diferentes fontes de informação e desenvolvemos uma preferência por um alto nível de estimulação.

Segundo números da Bersin[1], em um único dia acessamos nossos smartphones 9 vezes, ficamos online 27 vezes e somos interrompidos a cada 5 minutos por ferramentas colaborativas ou aplicativos. Isso sem contar as inúmeras mensagens, sites e vídeos que nos roubam a atenção a cada instante.

Considerando este cenário na vida de um profissional com jornada de trabalho de 40 horas semanais, quanto tempo sobra para que ele se dedique ao seu desenvolvimento?

Vinte e quatro minutos por semana, ou seja, 4,8 minutos por dia. Isso representa apenas 1% de sua semana de trabalho que pode ser, efetivamente, dedicada à aprendizagem[2].

A concorrência de tempo é desleal mas, da mesma forma que as tecnologias podem roubar o nosso foco do trabalho, elas também podem colaborar na criação de novas experiências de aprendizagem, práticas e diferenciadas, que auxiliem esses mesmos profissionais distraídos a aprender em um curto período de tempo. A intersecção entre tecnologia e educação resulta em novas e melhores estratégias para ensinar, aprender e treinar por meio de poderosas estratégias de desenvolvimento, como o microlearning (ou microaprendizagem).

Essa importante abordagem procura segmentar o conteúdo do treinamento em pequenas partes, objetivas e conectadas – mas independentes entre si, o que não só facilita a aprendizagem, mas também ajuda a ampliar, com mais agilidade e menor custo, a capacidade de performance dos profissionais.

Então isso significa que basta dividirmos o conteúdo de nossos treinamentos de 8 horas em pequenas partes de 3 ou 4 minutos?

Não é bem assim. A segmentação do conteúdo em partes menores com significado reduz a carga cognitiva no processo de aprendizagem, motiva o desejo de aprender, facilita a retenção do conteúdo e o direciona à aplicação prática e imediata no trabalho. Entretanto, não se mostra tão eficaz em atividades que visam desenvolver habilidades complexas, relacionadas a processos ou comportamentos. Imagine aprender a tocar um instrumento musical, gerenciar projetos ou utilizar um software em apenas 4,8 minutos por dia[2].

A reflexão para os profissionais de Educação Corporativa é: o microlearning veio para ficar, mas deve ser aplicado dentro de uma sólida estratégia educacional, respeitando o contexto em que está inserido, bem como seu público e conteúdo. Afinal, as pessoas ainda precisam de tempo e dedicação para adquirir novos conhecimentos e desenvolver habilidades.

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Fontes/Referências: [1] “Meet the Modern Learner” (Infographic). Bersin by Deloitte, Nov. 2014. [2] “The myth of ‘micro-learning’”, Sharon Boller. Bottom-Line Performance, May 2015.

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