OEB2016: Confira os highlights e análise dos primeiros dias do evento

OEB2016: Confira os highlights e análise dos primeiros dias do evento

O primeiro dia (30/11) da OEB2016 – Online Educa Berlin permitiu aos visitantes passear pela feira, visitar estandes e expositores. Pelos corredores os debates já estavam em fase de aquecimento nos mais variados idiomas. Era possível encontrar profissionais de empresas americanas, alemãs, inglesas e dos países nórdicos, entre tantos outros, já trocando ideias e experiências sobre o futuro da aprendizagem.

Na quinta-feira, dia 01/12, tiveram início as palestras. A apresentação inaugural, The Opening Plenary: Owning Learning, reuniu mais de 2 mil pessoas de mais de 100 países, dos setores corporativo, educacional, público e não-governamental, no Hotel Intercontinental, sede do evento.

A palestra de abertura, mediada pelo jornalista Nik Gowing, foi composta por três especialistas: Andreas Schleicher – Diretor de Educação e Skills e Special Advisor da OECD (Organization for Economic Co-operation and Development – em Paris); Tricia Wang – Global Technology Ethnographer (China); e Roger Schank – especialista em Inteligência Artificial e construção de ambientes virtuais de aprendizagem (USA).

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Mas qual o significado de “Owning Learning”? Nada mais é do que adotar uma postura de dono – responsável – da própria aprendizagem. Costumamos nos referir a este conceito no setor corporativo no Brasil como “Protagonismo na aprendizagem”, mas nas discussões apresentadas aqui na OEB, o termo tem uma abordagem um pouco mais ampla e de “poder” sobre a aprendizagem.

Os especialistas apresentaram diferentes visões sobre o tema:

Andreas trouxe dados, números e uma percepção do cenário atual de gap entre a educação e os skills necessários ao trabalho em um cenário globalizado e digital, mostrando a necessidade de uma mudança mais pragmática e decisiva nos modelos educacionais.

Tricia acrescentou à discussão uma mudança de perspectiva na abordagem da educação, com um olhar centrado nos alunos e em seu empoderamento no processo de aprendizagem.

Roger completou acrescentando sua visão sobre o papel das tecnologias e da inteligência artificial (IA) nesta mudança, com argumentos e propostas um pouco mais radicais quanto à forma como estas mudanças podem ser implementadas, o que aqueceu definitivamente o debate.

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Esta necessidade de mudança é realmente clara. O gap mencionado, entre educação formal e skills para o trabalho – entre o que você sabe e o que efetivamente faz -, precisa ser corrigido, não somente em nossa realidade, mas de forma global. É geral a percepção de que os profissionais de hoje não possuem fluência digital para atuar num cenário cada vez mais global e conectado.

Ao acrescentar a essa discussão a evolução das tecnologias de inteligências artificial, o debate nos leva para uma ideia de substituição da força de trabalho por robôs (reais e Bots virtuais).

Esta visão é míope, pois estas tecnologias serão utilizadas simbioticamente ao trabalho humano, num equilíbrio entre o que as máquinas fazem de melhor e o que nós humanos fazemos de melhor. É importante mesclar o poder das tecnologias de inteligência artificial com pessoas reais, que com isso podem acrescentar ao processo de aprendizagem uma perspectiva mais humana.

Em outra plenária, Donald Clark, um dos fundadores da Epic Group, e Christoph Benzmüller, pesquisador da DGF (German National Research Foundation), complementaram essa discussão, abordando a relação da Inteligência Artificial e papel dos professores.

Como a IA pode auxiliar o instrutor? Qual o papel dele no processo de aprendizagem? Em que aspectos a IA jamais o substituirá? Estas foram algumas das questões levantadas pelo debate, bastante acalorado.

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O ponto chave da discussão parece estar na palavra “substituir”. Um consenso da discussão é que as IAs são inevitáveis. Elas existirão e terão atuação na parte operacional do trabalho de um instrutor, pois há um grande potencial dessa tecnologia na educação, à medida que ela pode apoiar a contextualização do conteúdo para a realidade de cada indivíduo.

Com isso, será possível observar uma mudança no perfil desse profissional: será necessário, não um professor da era industrial, responsável por padronizar o conhecimento dos alunos para o mercado de trabalho, mas um professor da era digital, capaz de conduzir o aluno a desenvolver seus talentos, e habilidades necessárias para alcançar seus objetivos.

E isso é intrinsecamente humano.

 

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SOBRE A OEB:

A OEB – Online Educa Berlin é uma conferência mundial sobre tecnologia, aprendizagem e educação corporativa, realizada em Berlin, na Alemanha. Todos os anos a OEB desafia pré-conceitos e propõe novos diálogos, atuando como uma grande catalisadora de tendências e insights.

Acompanhe conosco os highlights da OEB aqui no Blog da Ciatech e também em nossos canais nas mídias sociais – entre os dias 30/11 a 02/12.

Assista ao vídeo abaixo e conheça nosso correspondente Bruno Milagres:

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