SXSWedu 2017: Uma mistura de hip-hop, realidade virtual e chatbots na educação

SXSWedu 2017: Uma mistura de hip-hop, realidade virtual e chatbots na educação

Bruno Milagres | Diretor de EdTech e Inovação Educacional UOL Educação

A conferência SXSWedu 2017 não poderia ter começado de outra forma. Com uma mistura de hiphop e provocações sobre o atual estado da educação, o professor Christopher Emdin deu o tom para as discussões destes quatro dias de imersão no assunto aqui em Austin.

SXSWedu 2017 Austin Texas

Educadores devem se posicionar, se apropriar do processo de transformação pelo qual a educação está passando.

Questionar a forma como novas tecnologias são implementadas. Questionar o mercado e seus modelos de negócio. Questionar sua própria atuação – como se fez educação até aqui. E conduzir o daqui para frente com as preocupações pedagógicas, sociais e culturais da aprendizagem.

SXSWedu 2017: Christopher Emdin e o atual estado da Educação

“We got it from here… Thanks for your service.” 

Para quem trabalha com educação, as perguntas são – quase sempre – mais importantes que as respostas:

  • Este projeto está sendo pensado com o aluno no centro da experiência?
  • Esta nova tecnologia está sendo utilizada com propósito pedagógico?
  • A aprendizagem está sendo efetiva?
  • Está sendo inclusiva?
  • Está permitindo que o aluno possa nos dizer como ele quer ser ensinado?

 

É no processo de questionar todos os dias a forma como fazemos o que fazemos hoje que está a evolução da forma de fazer educação.

Realidade Virtual no New York Times e na educação

Quem acompanha o surgimento e a evolução das tecnologias de realidade virtual, realidade aumentada e vídeos 360, conhece os exemplos de narrativa imersiva do The New York Times. Uma das apresentações de hoje foi exatamente do time da The School of The New York Times, sobre as melhores práticas aprendidas pela equipe de VR do jornal nas publicações utilizando a tecnologia, e sua aplicação na educação.

5 boas práticas para a aplicação de Realidade Virtual na Educação

  • 1. Story First – (“A história vem primeiro”) Um bom lembrete para nós educadores do poder do storytelling no processo de aprendizagem.
  • 2. Bear Trap – (“Armadilha para urso”) Uma câmera 360 é como uma armadilha para urso: você a coloca em posição, se esconde, e nunca sabe ao certo o que vai acontecer durante a gravação. Explore ao máximo as possibilidades do 360.
  • 3. Take me there – (“Leve-me lá”) A realidade virtual te coloca presente não só em um lugar, mas em uma experiência. Seja experimentando o clima de um set de filmagens, a vida de pesquisadores na Antartica, ou na peregrinação até Meca. Faça com que o indivíduo se sinta no local da experiência.
  • 4. Hold my head – (“Segure minha cabeça”) Em VR você deve tratar seu usuário como um “convidado”. Você precisa dar pistas para que ele tenha um referencial e possa se guiar na história .direcionar, me oriente, me diga o caminho.
  • 5. Be a Journalist – (“Seja um jornalista”) A tecnologia pode ser nova, mas o mindset para utilizá-la deve permanecer o mindset de jornalista, com integridade para relatar a notícia.

 

São cinco boas práticas facilmente traduzíveis para o mercado de educação. Destaco a número cinco, que para a nós seria “Seja um Educador”.

Acima de tudo, pense no processo de aprendizagem, e não na utilização da tecnologia pela tecnologia. Havendo motivos para sua utilização, mergulhe no processo de desenvolvimento, conte uma boa história, leve seu aluno a lugares e experiências únicas e guie seus passos com pontos de referência para que ele possa construir seu próprio conhecimento.

SXSWedu 2017: Realidade Virtual no New York Times e na Educação

Um case bem estruturado de utilização de Chatbots na educação

Assim como a realidade virtual, a utilização de chatbots para reforçar o engajamento de alunos é um dos temas que sempre aparecem em discussões sobre o futuro da aprendizagem. Chatbots são programas de computador que imitam/simulam conversas com pessoas utilizando tecnologias de inteligência artificial. E o engajamento de alunos no processo de aprendizagem (ou a falta de engajamento) é um dos problemas mais importantes de ser enfrentado na aprendizagem online.

 Um case bem estruturado de utilização de Chatbots na educação

Por isso foi muito interessante assistir à apresentação “Let’s chat… bots in education”, onde Andrew Magliozzi da AdmitHub, em parceria com a Georgia State University e os dois pesquisadores Lindsay Page (Pitt) e Hunter Gehlbach (UCSB), contaram um pouco do processo de desenvolvimento e implementação de um robô de mensagens para ajudar alunos e familiares no processo de matrícula nos cursos de graduação da universidade. Questões éticas como que tipo de pergunta pode ser respondida automaticamente pelo robô, e qual tipo de pergunta deve ser endereçada aos consultores “humanos” da universidade, foram tratadas na prática, com exemplos. A importância de se declarar um robô desde o início, e de como isso fez com que os alunos se sentissem menos intimidados em fazer perguntas que poderiam ser julgadas como “bobas”, também me chamou a atenção – um detalhe de comportamento identificado durante o processo com o chatbot.

No blog da AdmitHub, postado hoje pela empresa, eles contam em mais detalhes o case. Recomendo a leitura aos interessados.

Além de VR e Chatbots, fui ouvir dois dos fundadores da EdTechXGlobal sobre suas perspectivas para o futuro do mercado de Edtech, principalmente na Europa e Ásia, e de onde eles vêem surgir as maiores inovações – e os possíveis novos unicórnios de Edtech. Em uma de suas colocações, eles acabaram ressoando o tom inicial dado pelo Prof. Christopher Emdin:

The future of learning will not be about what we learn, but how we learn.”

O futuro da aprendizagem não será sobre o que aprendemos, mas sobre como aprendemos. É este “como aprendemos” que está em transformação nos dias de hoje. É nele que encontramos as novas formas de ensinar. É nele que pensamos todos os dias.

Leia também:

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