SXSWedu 2017: Hacks de aprendizagem, uma educação superior digital e boas práticas na produção de vídeos educacionais

SXSWedu 2017: Hacks de aprendizagem, uma educação superior digital e boas práticas na produção de vídeos educacionais

Bruno Milagres | Diretor de EdTech e Inovação Educacional UOL Educação

O terceiro dia de SXSWedu começou com um bate papo com o autor e bestseller Tim Ferriss, conhecido por seus livros “The 4-hour Workweek” e o mais recente “Tools of Titans”, com entrevistas com personalidades e profissionais de destaque em diversas áreas e seus hacks de aprendizagem. O nome do Keynote: “The Secrets of Accelerated Learning Mastery”.

Hacks de aprendizagem, uma educação superior digital e boas práticas na produção de vídeos educacionais

“Much like the best in any field, the best learners (and teachers) stress-test assumptions. The profound often hides within absurd, even heretical, experiments.”

Existem hacks tanto para aprender de forma mais eficiente quanto para ensinar.

Mas para encontrá-los é necessário questionar tudo aquilo que pressupomos ser uma verdade incontestável. E nesses questionamentos, muitas vezes desconfortáveis, encontramos as hipóteses que podemos testar e assim construir uma experiência inovadora.

E quais são os segredos, os hacks, para uma aprendizagem acelerada, segundo o autor?

  1. Descontrução – Quebre a habilidade que quer aprender em pedaços pequenos de aprendizagem (o menor possível).
  2. Seleção – Selecione destes pedaços pequenos os 20% que entregam 80% de resultados.
  3. Sequenciamento – Ordene estes pedaços em uma sequência que faça sentido para você.
  4. Consequências – Estabeleça um programa de recompensas/consequências para sua evolução na aprendizagem da nova habilidade.

Hacks de aprendizagem, uma educação superior digital e boas práticas na produção de vídeos educacionais

Experimentando com a aprendizagem digital

Na sequência, assisti a uma série de apresentações – no estilo Ted Talks – de líderes em educação superior americanos envolvidos em programas e projetos de educação superior online: “Lightning Talks: When Learning Goes Digital.”

Bror Saxberg, da Kaplan, falou sobre as experimentações com recursos digitais em diversas turmas em um processo de engenharia de aprendizagem.

Marie Cini, da UMUC (University of Maryland University College), falou sobre a experiência de utilização de OERs (Open Educational Resources) nos cursos online da escolar – textos, vídeo, podcasts, games, softwares livres. Sua experiência não mostra nenhum resultado negativo na utilização de OERs, muito pelo contrário, eles aumentam os indicadores positivos de aprendizagem.

Dale Whittaker, da UCF (University of Central Florida), falou sobre a experiência na Flórida, onde estudantes que fazem cursos online se formam mais rapidamente, e que uma abordagem de aprendizagem personalizada, adaptativa, gera resultados melhores do que os de cursos exclusivamente presenciais. Também, abordou a importância de formar os professores da universidade nas novas tecnologias de aprendizagem digital.

Paul Freedman, da Entangled Ventures, abordou como na experiência digital de aprendizagem nos dias de hoje a proporção de professores por aluno se inverteu: ao invés de um professor para uma sala de aula com 40 alunos, hoje temos uma seleção de 40 (ou muito mais) professores para um único aluno.

E por fim Bridgite Burns, da TheUIA.Org (The University Innovation Alliance), falou sobre como são importantes para inovar em educação o trio Liderança + Gestão da Mudança + Tecnologia. E que a inovação na educação é o que as pessoas fazem com as novas tecnologias, e não o contrário.

No Brasil, as experiências com cursos de graduação parcialmente ou totalmente online estão ainda engatinhando. Mas é animador ver o caminho já trilhado por instituições que investiram na aprendizagem digital e hoje já colhem resultados (mais alunos, mais diversos, uma formação mais acessível e de igual ou maior qualidade).

Hacks de aprendizagem, uma educação superior digital e boas práticas na produção de vídeos educacionais

Como produzir vídeos educacionais incríveis?

Meu painel favorito até aqui, visto que sou audiência cativa de canais educacionais no YouTube. Para dar dicas de como produzir conteúdos em vídeo, estavam presentes Alex Rosenthal, do canal Ted-ED, Joe Hanson, do canal It’s OK to Be Smart da PBS, Vanessa Hill, do canal BrainCraft, e Anna Rothschild, do canal Gross Science. Recomendo assinar os 4 canais.

Além de mostrar vários dos seus vídeos e contarem sobre o processo de cada canal, eles deram algumas dicas – boas práticas – para produção de vídeos educacionais para o Youtube. A meu ver, cabem muito bem para empresas que produzem este tipo de conteúdo para seus programas corporativos também:

boas práticas na produção de vídeos educacionais

  1. Quem é sua audiência?

A primeira e talvez mais importante pergunta que deve-se fazer em um projeto. Entenda para quem você está produzindo o conteúdo. Seu perfil, o contexto em que seu vídeo será consumido e a necessidade – a dor – que esta audiência quer suprir.

  1. O que você precisa para começar a produzir vídeos incríveis?

Não é sobre equipamentos, câmeras, lentes. É sobre estilo, tom de voz, o que você quer dizer, como deseja comunicar, que história quer contar. Para começar a produzir vídeos educacionais incríveis é preciso começar, experimentar e descobrir a resposta para estes pontos elencados.

  1. Todo vídeo deve contar uma história. E como contar uma história em um vídeo? Algumas dicas:
  • A ideia e a história vêm primeiro.
  • Comece com uma única frase, que funcione como teaser da história que você deseja contar, e nos primeiros 8 segundos lute para ganhar a atenção da audiência.
  • Faça uma pergunta, use sempre a palavra “você”, faça com que seja pessoal, com que a audiência se identifique com o assunto.
  • Desenvolva personagens. Grafismos e animações ajudam a desenvolver personagens e a fazer analogias.
  • Keep it simple. Use frases curtas. Mantenha a história simples, compacta. Cada informação apresentada deve estar lá por um motivo.
  • Metáforas devem ser curtas e feitas com apoio visual. Metáforas longas parecem não funcionar com a maior parte das audiências.
  • Somos criaturas visuais. Não se esqueça disso ao utilizar os recursos necessários para tornar conceitos abstratos em uma mensagem receptiva e compreensível.
  1. Big Concepts, small packages. (Grandes conceitos, pequenos pacotes)

Faça com que cada vídeo seja um pacote completo. Um conteúdo autossuficiente. E mantenha os vídeos curtos. Mas qual o tempo ideal? 3 a 5 minutos?

Parece um tempo “ok”, mas a dica é analisar os dados analíticos de audiência. Numa plataforma como o YouTube por exemplo você sabe exatamente em que ponto do vídeo seus usuários perdem o interesse.

Use estes dados para estabelecer seu próprio tempo – o melhor, o tempo ideal para sua audiência.

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